Essa semana (26/05/2022) mais uma notícia de violência doméstica
física, foi parar na página de notícias da G1.
“Uma
mulher de 32 anos ficou em coma após ser gravemente agredida em uma casa na
zona rural de Araguatins, na região do Bico do Papagaio. Segundo a polícia, a
vítima, Maria Simone, foi encontrada desacordada pelo próprio pai. O principal
suspeito do crime é o ex-companheiro dela, um homem de 36 anos que está sendo procurado.
”
A violência doméstica física abarca comportamentos utilizados
dentro e fora de um relacionamento, por uma das partes, sobretudo para
controlar a outra, geralmente praticada pelo sexo masculino, invadido por
vários acometimentos como: ciúmes, drogas, álcool, pornografia, lealdades
parentais, etc.
As pessoas envolvidas podem ser casadas ou não, ser do mesmo sexo
ou não, viver juntas, separadas ou somente namorar.
Todos podemos ser vítimas de violência doméstica.
As vítimas podem ser ricas ou pobres, de qualquer idade, sexo,
religião, cultura,
grupo étnico, orientação sexual, formação ou estado civil.
A violência física é qualquer forma de agressão como: esmurrar,
pontapear, bater, estrangular, queimar, induzir ou impedir que o (a)
companheiro (a) obtenha medicação ou tratamentos, empurrar, chutar, apertar,
etc.
A violência doméstica funciona como um sistema circular – o
chamado: Ciclo da Violência Doméstica – que apresenta, três fases bem definidas, e
geralmente tem repetições:
1.
aumento de tensão: as tensões acumuladas no quotidiano, as injúrias e as
ameaças tecidas pelo agressor, criam, na vítima, uma sensação de perigo
eminente, onde a vítima fica assustada e sabe qual é a próxima etapa.
2.
ataque violento: o agressor maltrata física e psicologicamente a vítima;
estes maus-tratos tendem a escalar na sua frequência e intensidade, tudo
acontece após um gatilho que a mulher precisa ter conhecimento para se defender.
3.
lua-de-mel: o agressor envolve agora a vítima de carinho e atenções,
desculpando-se pelas agressões e prometendo mudar (nunca mais voltará a exercer
violência). Nesse ponto que a mulher cede e volta sofrer as fases do ciclo.
A violência contra as mulheres é um fenómeno complexo e
multidimensional, que atravessa classes sociais, idades e regiões, e tem
contado ao mesmo tempo, com reações positivas e a passividade por parte das
mulheres, colocando-as na procura de soluções informais e/ou conformistas,
tendo sido muita a relutância de propagar informações a respeito.
Cada mulher reage de uma forma, cada uma procura um mecanismo de
autodefesa para suportar a dor e ao mesmo tempo a vitimização. Outras não
consideram, os abusos cotidianos, a coação sexual, a difamação e injúria, como
crimes, fazendo de conta que elas não são vítimas suportando assim, dia após
dia as consequências, chegando as piores consequências.
A violência doméstica física não pode ser vista como um destino
que a mulher tem que aceitar passivamente. O destino sobre a sua própria vida
pertence-lhe, deve ser ela a decidi-lo, sem ter que aceitar resignadamente a
violência para permanecer e preservar a família.
Importante ainda, desvendar vários mitos, sendo um deles o fato
de que a polícia e a lei não ajudam.
A Polícia tem obrigação de prestar assistência e proteção a
qualquer pessoa que sofra de qualquer um dos vários crimes que constitui a
violência doméstica. No contato com a polícia ou outros órgãos de segurança não
hesite em fazer valer os seus direitos como vítima.
A violência não pode ser tolerada enquanto resolução de
conflitos entre duas pessoas, pois existem outras maneiras, pacíficas, de
resolver problemas relacionais, como o diálogo e a busca de terapias para
tratar a origem da violência, só assim vai ocorrer a cura completa.
O agressor e a vítima precisam de ajuda. O agressor e a vítima
não querem falar porque sentem vergonha e culpa ao mesmo tempo. O agressor
sente-se culpado por agir assim, e a vítima por estar em um relacionamento
tóxico e por não saber sair. É um emaranhado muito forte, porque apesar de tudo
existe amor, ainda que seja desordenado e doentio.
As pessoas se envolvem em relacionamentos e acabam estabelecendo
trocas desiquilibradas, na qual cada um se aproveita do outro para completar
sua carência interna, então busca no outro o complemento de sua carência e se
infantiliza.
Nos próximos dias vamos falar de outras violências domésticas como
a: sexual e a patrimonial.
Lembre-se: Nenhuma mulher apanha porque gosta. Segundo dados da
Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2013 o Brasil já ocupava o 5º lugar, num
ranking de 83 países onde mais se matam mulheres.
Uma em cada 05 mulheres já foram vítimas de violência doméstica.
A questão toda, tem fundo emocional.
O homem geralmente comete violência por ter tido desenvolvimento
emocional interrompido quando criança, por exemplo: perda da mãe precocemente.
Onde o homem no momento que mais precisava de colo para crescer seguro, tem o
vazio materno, então agarra-se com violência nessa mulher (companheira) por
medo de perdê-la. Esse é um de vários motivos e exemplos.
Temos que observar, nos conhecer e curar. Nunca silenciar.
Juliane Silvestri Beltrame
Especialista em Direito das Famílias.
Sócia-proprietária do Escritório Beltrame & Silvestri -
advocacia