A dependência emocional X direitos do casamento
Uma
coisa são os direitos dentro de um casamento outra é a dependência emocional.
Em muitos casos, a mulher acha que alguns direitos (ser bancada, mantida
economicamente, ajudada psicologicamente) é favor ou dependência emocional em
relação ao marido.
De acordo com o artigo 1.566 do Código
Civil, ambos os cônjuges têm o
dever de fidelidade recíproca, vida em comum no domicílio conjugal, mútua
assistência, sustento, guarda e educação dos filhos e respeito e consideração
mútuos,
portanto, muito daquilo que a mulher recebe dentro do lar não é dependência e
sim direitos.
Quando
nos unimos em um relacionamento de casal, cada um dos cônjuges colabora com
algo, seja trazendo o financeiro para dentro do lar, amparando o ladoemocional
da relação, ficando responsável pelo cuidado dos filhos enquanto o outro labora
fora de casa, seja limpando, passando, fazendo comida, enfim, são diversas
tarefas que compõem um círculo familiar, não tendo valor somente o labor fora
de casa.
Se
o seu marido labora e traz o financeiro e você cuida do lar e dos filhos, você
não é dependente economicamente, porque isso é um acordo entre o casal e cada
um desempenha um papel e se ajuda mutuamente. Afinal, os filhos foram gerados
pelos pais e ambos são responsáveis.
Você
já parou para valorar o seu serviço no lar? O cuidado com os filhos, a
dedicação em deixar uma casa limpa e organizada?
O
problema é que as pessoas confundem o fato da mulher receber alguns direitos dentro
do lar com dependência econômica e emocional.
Agora
quando essa necessidade de estar com o outro, vira uma obsessão pela falta de
autoestima advinda da necessidade de ser amada, começa aí ser um sinal de
perigo emocional.
Aquela
mulher que não aprendeu a se amar e necessita que o outro a ame para sentir-se
digna de amor é um sinal de dependência. Muitas vezes essa mulher teve uma
interrupção do fluxo de amor lá com os pais e hoje busca no marido suprir essa
lacuna.
Confundimos
ser casado com sucesso, êxito na viada. Ser solteirona em um certo tempo da
vida se confunde com fracasso, isso é um mero convencionalismo social.
Nos
relacionamentos abusivos, muitas vezes o codependente está ao lado do abusador,
por uma força inconsciente de dor, culpa, sofrimento e não de amor. Apego
excessivo ao parceiro, jogar no outro a razão de ser feliz, exigência de
exclusividade, valendo-se de chantagem e manipulação, medo de rejeição, não
conseguir tomar decisões próprias, dizer sim para tudo, alimentar preocupações
sem fundamentos, isso são alguns sinais de dependência emocional.
Antes de continuarmos, é preciso deixar claro
algumas diferenças sobre amar alguém como ele é e amar o ato de ser
amado. No primeiro caso existe um respeito e
admiração, de modo que a pessoa é aceita em sua essência. No segundo as intenções são
direcionadas às impressões, ao fato de ter alguém que pode amar da forma que eu
necessito.
Um exige que faça como quer para poder amar o
outro, e o outro que é codependente, se anula, é leal em vez de ser honesto
para poder amar o outro da forma que ele exige.
Uma das principais sequelas da dependência emocional é a
construção sequenciada de um abuso por uma das partes. Como dito linhas acima, quem convive com um dependente emotivo é moldado
diariamente conforme os caprichos dele. É como pisar em ovos,
já que a relação é bastante fragilizada e desgastante.
Nesse caminho, surgem as relações abusivas em
que um sempre coloca o outro contra a parede quando lhe é conveniente.
A mulher precisa ter mais autonomia, saber o
próprio valor, aceitar ser ajudada, entender a diferença de direitos na relação
e dependência emocional, saber dizer não ao parceiro, saber manter uma boa conversa, saber se posicionar dentro do casamento,
saber compreender as próprias emoções, respeitar as próprias necessidades e se
perguntar: Sou feliz se o outro não existir?
Tenha apreço a sua própria existência, seja
feliz consigo mesma. Agradeça a vida que os pais lhe deram, e faça algo
grandioso com a vida, busque autoconhecimento e seja auto responsável, só
assim, você irá jorrar amor aos filhos e o fluxo de amor continuará.
Juliane SilvestriBeltrame
Especialista em Direito das famílias.