O namoro é a fase mais romântica e conquistadora da vida de um casal, mas ao mesmo tempo é fantasiosa,sendo o momento inicial para que mulheres e homens se conheçam como parceiros. Tudo são flores, o coração vai aos pulos, troca de presentes e juras de amor estão presentes na fase mais apaixonante. Porém, nem tudo é romantismo no namoro, exigindo mais atenção das mulheres e da sociedade em relação aos comportamentos dos namorados.

Alguns sinais como: o ciúme, a invasão de privacidade, a tentativa de controlar decisões, crenças, comportamentos, a dependência, a autorização para poder trabalhar em determinados lugares, humilhações, desqualificações, manipulações, isolamentos, vigilância constante, perseguição contumaz, insultos, chantagens, violação de sua intimidade, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir, controle de conversa no WhatsApp, controle do Instagram, controle da vida social, não podem ser naturalizados e romantizados como prova de amor. Esses comportamentos devem ser considerados como atitudes abusivas no namoro assim como nos noivados, casamentos e uniões estáveis, trazendo muito dor com o passar do tempo, porque vai minando a relação e tirando toda a privacidade, individualidade e sonhos da mulher.

Essa realidade é fruto dos valores patriarcais, sexistas e machistas que são reproduzidas por homens e mulheres e também ganham representações nos meios de comunicação e na publicidade.

Outro importante sinal é o fato de o homem sempre querer ser o centro das atenções, desmerecendo ou diminuindo todas as conquistas da mulher. Há muitas chantagens emocionais, como a ameaça de abandonar a namorada por qualquer aborrecimento ou desaprovação.

A violência verbal é um sinal de relacionamento abusivo com discussões e humilhações, chamada de violências psicológicas e morais. E qual é a diferença entre a psicológica e a moral? A psicológica é toda agressão que tenta diminuir a parceira na condição de mulher. Menosprezá-la, humilhá-la e retirar sua autonomia, desfazer suas liberdades e diminuir sua autoestima. Já a violência moral se configura pela tentativa de destruir a imagem e a reputação social da mulher diante da comunidade em que ela vive, por meio de injúrias, difamações e calúnias praticadas pelos companheiros.

Inúmeras decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) entre os anos de 2008 e 2014, confirmam a aplicabilidade da lei Maria da Penha na fase do namoro. A mulher que namora pode ser submetida às cinco modalidades de violências: a física, a psicológica, a sexual, a patrimonial e a moral. Importante salientar que o namoro puro e simples é uma relação íntima de afeto que independe de coabitação; portanto, a agressão do namorado contra a namorada, ainda que tenha cessado o relacionamento, mas que ocorra em decorrência dele, caracteriza violência doméstica.

O Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres de Campo Erê, irá nesse segundo semestre de 2024, fazer uma conversa com alunos da rede estadual de ensino sobre as violências descritas na Lei Maria da Penha, buscando auxiliar, divulgar e disseminar conhecimentos, sendo altamente necessário o conhecimento do VIOLENTÔMETRO, documento que lista 29 ações abusivas que exigem reação da mulher para afastar o ciclo de violência para evitar a morte.É um escalonamento não necessariamente gradativo, que foi desenvolvido no México, e pode auxiliar as mulheres a identificar qualquer um dos sinais indicados.

A recomendação é: interrompa com o namoro abusivo desde os primeiros sinais de violências, mesmo que sejam muito sutis. A tendência da mulher, ao permanecer nessa relação, é tirar a responsabilidade dos homens, dando desculpas para o comportamento deles. Por isso, escuto frases como ‘ele fez isso porque bebeu ou porque estava cansado’.

Essas interpretações erradas colocam as mulheres em risco, porque esse ciclo de violência vai se agravando mesmo, ficando cada vez mais grave com o casamento e a chegada dos filhos.

Já atendi mulheres que entenderam que deveriam acabar o namoro com dois meses de relação, como também ,já vi mulheres que passaram mais de uma década vivendo o ciclo de violência, chegando até a morte.

Juliane Silvestri Beltrame

Especialista em Direito das famílias e escritora.