A Síndrome da Mulher Espancada, é um termo criado pela psicóloga Lenore Walker através do livro “The Battered Woman”, onde descreve o ciclo de abuso para explicar os padrões de comportamento em um relacionamento abusivo.
A Síndrome da Mulher Espancada tem sido oferecida como defesa nos tribunais criminais dos EUA há várias décadas.Autores apontam que, apesar da pesquisa limitada para apoiar sua validade e confiabilidade, a Síndrome da Mulher Espancada foi rapidamente adotada para uso como defesa em contextos criminais nos Estados Unidos e outros países.
A Síndrome da Mulher Espancada (Lenore Walker)foi criada a partir da observação de casos concretos que demonstravam a ocorrência de consequências psicológicas em razão de uma situação de violência por parte do parceiro. Essa síndrome é bastante criticada pela falta de cientificidade, mas é inegável que vários estudos confirmam a existência da situação de violência por eles descrita, dos danos em virtude dessas circunstâncias violentas e da necessidade de proteção das pessoas submetidas a essas circunstâncias.
Na grande maioria dos trabalhos sobre violência doméstica contra a mulher, em relação a parceiros íntimos, já está reconhecido o Ciclo de Espiral Ascendente de Violência doméstica (fase da violência e fase da lua de mel)e não há dúvidas de que a mulher vítima de violência doméstica por parceiro íntimo carrega na alma as consequências dessa síndrome.
A condição conhecida como “Síndrome da mulher espancada” não é uma doença mental, mas representa o resultado do que acontece quando a mulher convive dia após dia com traumas, onde a mulher começa ter dores de cabeça, confusão mental. falta de ânimo, descrédito de suas potencialidades, falta de vontade de viver, tristeza emocional, dor de estômago, medo, raiva, aumento do cortisol, falta de apetite e muitas outras reações hormonais, físicas e mentais.
Segundo pesquisas, a mulher fica tão comprometida em termos de autoestima e capacidade de discernimento que passa a questionar o próprio comportamento. Inclusive, uma vítima de violência doméstica também pode desenvolver o transtorno de estresse pós-traumático, sendo essa condição mais comum do que a da síndrome da mulher espancada.
A ciência em pouco tempo irá comprovar algo que as mulheres vítimas de violência doméstica (física, moral, patrimonial, psicológica, sexual) já sentem na alma milhares de anos.
Quando uma mulher leva um tapa do namorado ou marido, a revolta é pela humilhação, não pela dor isolada. Essas questões emocionais precisam ser tratadas por ter consequências muito graves que podem afetar gerações, porque tudo é um ciclo de repetição dentro do lar.
Juliane Silvestri Beltrame
Especialista em direito de famílias e escritora.