Primeiro devemos celebrar as mulheres e as meninas em todo o mundo.As mulheres eas meninas fizeram grandes feitos – demolindo barreiras, desmantelando estereótipos e impulsionando o progresso rumo a um mundo mais justo e igualitário.
Ser mulher hoje é entender que tudo começa na gestação da nossa mãe. Na verdade, começa bem antes, quando a avó estava grávida e gerou a nossa mãe, o óvulo que deu origem à nossa vida foi também gerado, o que significa que nesse momento o património físico e emocional vivido pela avó vai ter um profundo impacto na sua vida e de seus filhos.
Assim sendo, nós somos o resultado do fluxo da vida que é transmitido de geração em geração através de todos os ancestrais que tiveram de existir para que nós chegássemos à vida.
Ainda carregamos conosco estas dores de falta de liberdade, de direitos, de autonomia, de expressão própria, de independência e o principal de oportunidades.É como se precisássemos da autorização de todas estas mulheres para vivermos com alegria.
A sabedoria e a intuição nunca foram tão necessárias no mundo atual.Sentir, se olhar, entender, se aceitar, é um misto que move as mulheres no século XXI.
Nenhuma conquista das mulheres veio de graça, nenhuma conquista foi fácil e nenhuma pode ser desprezada, porque elas são o passo necessário para que a gente consiga avançar em relação à nossa posição na sociedade brasileira e à nossa posição no mundo.
Dentro de nós reside ainda uma lealdade inconsciente que precisa de ser olhada, amada e libertada: como é que eu posso viver em alegria e abundância se as minhas ancestrais viveram milhares de anos de subjugação e opressão?
Toda mulher tem dentro de si, um pouco de rainha, de fada, de bruxa, de cozinheira, de cuidadora, um lado místico e esotérico. Umas são mais confiantes, outras são um tanto quanto, desconfiadas, outras são criativas e muitas estão escondidas.
O certo é que ainda temos medo, muito medo. Medo de ser prioridade, de se posicionar, de obter conhecimento, de ousar fazer diferente. Medo do que será o futuro, do que está sendo o presente. Medo de enxergar a outra mulher e de validar. Medo da violência contra a mulher.
O fenômeno da violência contra a mulher precisa ser compreendido por toda a sociedade e não pode ser relativizado diante da cultura, religião, condição social e econômica, raça, etnia, escolaridade, identidade, gênero, orientação sexual, ou quaisquer formas de discriminação.
Esse dia não diminuirá uma só morte por violência doméstica, nem acrescentará um só direito às mulheres. A discriminação salarial continua, a opressão, a misoginia, a desigualdade de afazeres, as represálias, o assédio, o descaso perante a jornada de trabalho excessiva e a luta pelos direitos reprodutivos precisa ainda avançar e muito.
Amanha será dia 09 de março e a vida segue o seu rumo e as mulheres continuam buscando os seus direitos, porque os outros 364 dias...
Juliane Silvestri Beltrame
Especialista em Direito das famílias e escritora.