Em dois dias de julgamento o tribunal do júri da comarca de
Pinhalzinho julgou e condenou, Fabiano Kipper Mai
a 329 anos, 4 meses de prisão em regime fechado.
O conselho de sentença composto por 6 mulheres e um homem,
encerou uma sequencia de buscas por justiça a um jovem que invadiu uma creche e
matou e feriu crianças e professores, em
maio de 2021
O réu também foi condenado ao pagamento de indenização às
vítimas, cujo valores foram fixados em R$ 500 mil para cada família de vítima
falecida, R$ 400 mil para a família do bebê que foi socorrido a tempo de se
recuperar e R$ 40 mil para cada uma das 14 vítimas de tentativa de homicídio.
Cabe recurso da decisão.
Assim como todo o processo que tramitou na comarca de
Pinhalzinho, a sentença foi longa e complexa. Foram analisados os cinco
homicídios consumados e as 14 tentativas de homicídio. Os detalhes dos crimes
foram discutidos durante a votação dos quesitos.
Foram 145 perguntas explicadas pelo juiz para resposta dos
jurados. A opção entre “sim” ou “não” embasaram a elaboração da sentença pelo
juiz.
Assim, as qualificadoras de motivo torpe, uso de meio cruel e
emprego de meio que dificultou a defesa da vítima foram admitidas pelo conselho
de sentença. Também foi reconhecido o aumento de causa pelo fato de algumas
vítimas serem menores de 14 anos de idade. Nem a transmissão nem a gravação da
leitura da sentença foram permitidas, assim como nenhum momento do júri, em
cumprimento à legislação prevista no Estatuto da Criança e Adolescente que
determina a preservação de imagens, bem como informações, de crianças vítimas.
“Foi um processo bastante trabalhoso, que demandou muito
empenho de toda a equipe da unidade, mas hoje chegamos ao fim com a satisfação
de um júri em que a ordem foi mantida por todos os envolvidos, tanto
profissionalmente quanto como espectadores. Com a colaboração dos
representantes da acusação, da defesa e, principalmente, dos jurados
conseguimos imprimir agilidade aos trabalhos, sem a necessidade de estender o
julgamento por mais dias. Hoje, a comunidade de Saudades teve a resposta do
Poder Judiciário em relação a esse caso que marcou a história da nossa comarca,
pouco mais de dois anos após a ocorrência do crime”, ressaltou o magistrado.
A pena estabelecida ao réu causou mais um momento de fortes
emoções, para ambas as partes. Os familiares e amigos das vítimas foram
novamente às lágrimas, dessa vez pelo alívio do final da etapa judicial. Os
pais do acusado, que acompanharam o júri do início ao fim, sofreram abalo
emocional. Ainda à tarde, eles foram levados ao hospital local por apresentar
picos de pressão alta.
Uma das vítimas relatou que a condenação não traz as crianças
e colegas de volta, nem apaga as memórias terríveis que carrega, mas traz sensação
de segurança para o convívio dos saudadenses. “A Justiça foi feita! Estou me
sentindo aliviada por entender que a condenação dele servirá de exemplo para
outros que consideram cometer crimes semelhantes. Precisamos observar nossas
crianças e adolescentes para auxiliá-los em dificuldades emocionais e
psicológicas para um convívio social mais saudável e harmonioso”, desabafou ao
final do júri.
As ruas que circundam o fórum de Pinhalzinho permaneceram
fechadas, sob forte esquema de segurança, durante os dois dias de júri.
Participaram da operação 12 policiais penais do Núcleo de
Operações Táticas (NOT), 17 policiais militares de Pinhalzinho e Chapecó, dois
bombeiros, além de uma psicóloga e uma enfermeira cedidos pelo Município de
Saudades. O Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional (NIS) do Tribunal
de Justiça de Santa Catarina, também colaborou com seis homens. A Casa Militar
de Santa Catarina participou com três policiais.
Atuaram na acusação, os promotores de justiça Bruno Poerschke
Vieira, Douglas Dellazari, Fabrício Nunes e Julio André Locatelli, com
assistência do advogado Luiz Geraldo Gomes dos Santos. Na defesa esteve o
advogado Demetryus Eugenio Grapiglia e na presidência dos trabalhos o juiz Caio
Lemgruber Taborda.
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