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Acontece nesta quarta-feira o julgamento à revelia de Noeli dos Reis, acusada de matar o marido Sebastião Arquimedes Soares da Rosa a golpes de machado. O crime aconteceu em 24 de fevereiro de 1994 enquanto a vítima dormia.

De acordo com o relatório do Delegado que conduzia as investigações, em sua versão a acusada relatou que vinha sofrendo ameaças e difamações por parte do acusado, que teria até registrado queixa, informando que a acusada e sua filha (13 anos) tinham ido para a “Zona do Meretrício” (sic) em Caçador. Defendeu-se ainda alegando que cometeu o crime porque “não aguentava mais as provocações e desaforos”.

De acordo com o depoimento, a acusada relata que pegou o machado na cozinha e desferiu o primeiro golpe com o “olho do machado” e que quando a vítima tentou reagir atingiu-o novamente, desta vez com o “fio do machado”. Logo depois foi até um telefone público e ligou para a polícia militar, que a prendeu em flagrante.
Colocada em liberdade em seguida, desapareceu e nunca mais foi encontrada, embora tenha sido decretada a preventiva.

IMPUNIDADE
O que mais chama a atenção nos autos do processo são as palavras do Juiz de Direito Luiz Cesar Schweitzer, que prolatou a sentença de pronúncia em 1995:

Como o exame do inquérito policial que fundamentou a denúncia evidencia que a acusada foi apresentada por policiais militares à autoridade policial que o presidiu, a qual limitou-se a tomar as suas declarações, liberando-a imediatamente, para proceder a remessa do caderno indiciário dois meses e meio depois, tratando-se de crime de extrema gravidade, ainda mais em se tratando de uma Comarca como Campo Erê, de pequeno porte e notoriamente marcada pela impunidade, principalmente em razão da omissão da justiça como um todo – atitude na melhor das hipóteses irregular – determino o encaminhamento de cópia do processado a Corregedoria de Polícia Civil e ao Ministério Público para as providências cabíveis.”