O veto presidencial era um esforço para manter uma abertura para os detentos supostamente fortalecerem 'vínculos familiares e participarem de atividades que auxiliem em sua reinserção na sociedade'.

No entanto, a decisão do Congresso reflete uma visão mais restritiva, sobretudo diante de inúmeros casos gravíssimos de assassinatos, estupros e roubos envolvendo bandidos em 'saidinhas'. Os parlamentares argumentam que as saidinhas são frequentemente aproveitadas para fugas e outros crimes.

A nova legislação é um capítulo significativo na contínua discussão sobre segurança pública e justiça penal no Brasil, colocando em foco a tensão entre medidas de segurança e estratégias de reintegração social para detentos.


O Congresso Nacional derrubou nesta terça-feira (28) o veto do presidente Lula (PT) à lei do fim da saída temporária, a chamada saidinha. Lula havia definido que as visitas familiares de presos no semi-aberto deveriam continuar. Deputados e senadores, no entanto, não concordaram com a decisão do Executivo.


A derrota do governo foi expressiva em ambas as Casas, como mostram os placares:

Senado: 11 para manter o veto e 52 para derrubar o veto; e

Câmara: 126 para manter o veto e 314 para derrubar o veto.


Eram necessários 257 votos de deputados para manter o veto. E 41 de senadores.


Aprovada em fevereiro pelo Congresso, a lei do fim da saidinha manteve a saída temporária para presos do regime semi-aberto para atividades de educação e trabalho. Os parlamentares escolherem excluir as saídas nas outras duas ocasiões que eram permitidas pela Lei de Execução Penal:


- visita à família; e

- participação em atividades que ajudem o preso a retornar ao convívio social.


As saídas temporárias são permitidas para presos do semi-aberto que não tenham sido condenados por crimes com violência ou grave ameaça ou por crimes hediondos. Para a progressão de regime, o preso precisa realizar exame criminológico.


Com a derrubada do veto, os presos do semi-aberto não poderão visitar suas famílias em feriados como o Dia das Mães. O veto de Lula foi pedido pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, como uma forma de manter a idéia que originou as saídas temporárias: o convívio familiar e a recuperação social de presos. A ressocialização dos presos é um dos principais objetivos da prisão, principalmente nos casos de crimes leves.


Para Lewandowski, manter as visitas às famílias também é uma forma de manter e respeitar os princípios da dignidade da pessoa humana, da individualização da pena, e a obrigatoriedade constitucional do Estado de defender a família enquanto parte da sociedade. O governo viu a medida como inconstitucional. Com a decisão final do Congresso, uma possibilidade é judicializar o tema.


Veja o placar dos deputados catarinenses

Em uma movimentação que reflete a postura mais rígida do Legislativo com relação à reinserção social de detentos, apenas os deputados Ana Paula Lima e Pedro Uczai, ambos do Partido dos Trabalhadores (PT) de Santa Catarina, votaram contra a restrição, defendendo a manutenção das saidinhas para os presidiários.


Os demais parlamentares de Santa Catarina, de diferentes partidos, votaram a favor do endurecimento das regras. A lista inclui nomes como Carlos Chiodini (MDB), Caroline de Toni (PL), Cobalchini (MDB), Daniel Freitas (PL), Daniela Reinehr (PL), Darci de Matos (PSD), Fabio Schiochet (União), Geovania de Sá (PSDB), Gilson Marques (Novo), Ismael (PSD), Jorge Goetten (PL), Julia Zanatta (PL), Pezenti (MDB) e Zé Trovão (PL), que optaram pelo "Não" ao benefício.


deputado

partido

UF

voto

Abilio Brunini

PL

MT

Não

Adilson Barroso

PL

SP

Não

Adolfo Viana

PSDB

BA

Não

Adriana Ventura

Novo

SP

Não

Adriano do Baldy

PP

GO

Não

Aécio Neves

PSDB

MG

Sim

Afonso Hamm

PP

RS

Não

Afonso Motta

PDT

RS

Não

Airton Faleiro

PT

PA

Sim

AJ Albuquerque

PP

CE

Não

Alberto Fraga

PL

DF

Não

Albuquerque

Republicanos

RR

Não

Alceu Moreira

MDB

RS

Não

Alencar Santana

PT

SP

Sim

Alex Manente

Cidadania

SP

Não

Alex Santana

Republicanos

BA

Não

Alexandre Guimarães

MDB

TO

Não

Alexandre Leite

União

SP

Não

Alexandre Lindenmeyer

PT

RS

Sim

Alfredinho

PT

SP

Sim


senador

partido

UF

voto

Alan Rick

União

AC

Não

Alessandro Vieira

MDB

SE

Não

Ana Paula Lobato

PDT

MA

Não

Ângelo Coronel

PSD

BA

Sim

Astronauta Marcos Pontes

PL

SP

Não

Beto Faro

PT

PA

Sim

Carlos Portinho

PL

RJ

Não

Carlos Viana

Podemos

MG

Não

Chico Rodrigues

PSB

RR

Não

Ciro Nogueira

PP

PI

Não

Cleitinho

Republicanos

MG

Não

Confúcio Moura

MDB

RO

Sim

Damares Alves

Republicanos

DF

Não

Daniella Ribeiro

PSD

PB

Não

Davi Alcolumbre

União

AP

Não

Dr. Hiran

PP

RR

Não

Eduardo Braga

MDB

AM

Não

Eduardo Girão

Novo

CE

Não

Eduardo Gomes

PL

TO

Não

Esperidião Amin

PP

SC

Não

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