Anualmente,
o Departamento Estadual de Defesa Vegetal (Dedev) da Cidasc estabelece um
período de vazio sanitário para a cultura do maracujá, com o objetivo de
combater a virose do endurecimento dos frutos do maracujazeiro, causada pelo
Cowpea aphid-borne mosaic vírus (CABMV). O calendário para 2024 já foi
definido, tendo como base a experiência de anos anteriores e os resultados
obtidos.
Mais uma
vez, foram determinadas três regiões, com datas distintas de início e de
término do vazio sanitário. Este cronograma leva em consideração
características de produção das localidades, como altitude e o nível
tecnológico adotado pelos fruticultores, além de atender demandas de alterações
recebidas de algumas regiões produtoras.
As datas
e municípios que compõem cada região são:
Região I
– de 1º de julho a 30 de julho de 2024: Araquari, Araranguá, Balneário Arroio
do Silva, Balneário Barra do Sul, Balneário Gaivota, Barra Velha, Corupá,
Criciúma, Ermo, Forquilhinha, Garuva, Guaramirim, Içara, Itapoá, Jacinto
Machado, Jaraguá do Sul, Joinville, Maracajá, Massaranduba, Meleiro, Morro
Grande, Passo de Torres, Praia Grande, Santa Rosa do Sul, São Francisco do Sul,
São João do Itaperiú, São João do Sul, Schroeder, Sombrio, Timbé do Sul, Turvo;
Região II
– de 11 de julho a 09 de agosto de 2024: Ascurra, Balneário Camboriú, Balneário
Piçarras, Benedito Novo, Biguaçu, Blumenau, Bombinhas, Brusque, Camboriú, Campo
Alegre, Canelinha, Capivari de Baixo, Cocal do Sul, Doutor Pedrinho,
Florianópolis, Garopaba, Gaspar, Governador Celso Ramos, Guabiruba, Ilhota,
Imaruí, Imbituba, Indaial, Itajaí, Itapema, Jaguaruna, Laguna, Luiz Alves, Morro
da Fumaça, Navegantes, Nova Veneza, Palhoça, Paulo Lopes, Penha, Pomerode,
Porto Belo, Rio dos Cedros, Rio Negrinho, Rodeio, Sangão, São Bento do Sul, São
José, Siderópolis, Tijucas, Timbó;
Região
III – de 21 de julho a 19 de agosto de 2024: demais municípios do Estado.
Durante o
vazio sanitário, o produtor deve eliminar todos os maracujazeiros e não deve
fazer o plantio desta espécie. Durante este período de 30 dias, a praga não
encontrará plantas hospedeiras para completar seu ciclo, o que ajuda a fazer o
controle com menor uso de produtos químicos. A produção de mudas é permitida,
desde que sejam observados os requisitos previstos na legislação, como o uso de
telas antiafídeos.
A maior
parte da produção estadual de maracujá se concentra em municípios da região I.
Santa Catarina é o terceiro maior produtor desta fruta no país e colheu 70 mil
toneladas na safra 2022/2023, representando um crescimento em torno de 27% em
comparação à safra de 2021/2022.
Produtor,
faça sua parte e programe-se para eliminar os maracujazeiros dentro do prazo
previsto para sua região, contribuindo para o controle desta praga.
O que é o
endurecimento dos frutos?
O
endurecimento dos frutos do maracujazeiro é a virose mais importante da cultura
no Brasil, pelo seu alto potencial destrutivo e rápida disseminação.
A doença
é causada pelo Cowpea aphid borne mosaic virus (CABMV), pertencente à família
Potyviridae e do gênero Potyvirus. Além de espécies de Passiflora, esse vírus
infecta também, espécies das famílias Fabaceae, Solanaceae, Chenopodiaceae,
Amaranthaceae e Cucurbitaceae.
O vírus é
transmitido por meio de inoculação mecânica (como ferramentas de poda, por
exemplo), através de mudas contaminadas e por diversas espécies de pulgões
vetores, como o Myzus persicae, Aphis gossypii, Aphis fabae, Aphis solanella,
Toxoptera citricida, Uroleucon ambrosiae, Uroleuconam sonchi e Myzus
nicotianae, durante as picadas de prova de alimentação.
Os
sintomas da doença podem ser observados nas folhas e frutos, quando plantas
infectadas têm seu crescimento retardado, com encurtamento de entrenós dos
ramos e drástica redução da produção de frutos (perdas podem chegar a 60% da
produção).
Os
sintomas iniciais nas folhas novas alternam a coloração do limbo (superfície da
folha) de verde escuro e verde claro, em forma de mosaico. Nas folhas mais
velhas, há distorção do limbo, bolhosidades, rugosidades, e o mosaico apresenta
alternâncias do verde com o amarelo. Já os frutos apresentam-se deformados,
rugosos e com redução de tamanho, além do endurecimento no albedo (parte branca
interna da casca), que se torna espesso e com baixo rendimento de polpa,
tornando-o impróprio para o comércio.
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