Centrais unificadas devem ser instaladas em todo o estado. Centrais unificadas devem ser instaladas em todo o estado.
Central de telefones e monitoramento começa a funcionar na terça-feira em Florianópolis

O lançamento de um novo sistema para atendimentos de ocorrências da Polícia Militar, Bombeiros e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), nesta semana, está dando o que falar. Se funcionar como a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) prevê, o Serviço de Atendimento e Despacho de Emergências (Sade) será aliado do cidadão, que terá seus chamados atendidos mais rapidamente. A euforia da SSP só não é completa porque a Polícia Civil está descontente com alguns pontos do sistema.

O sistema é um software que conta com geoprocessamento. Tudo vai parar em uma central unificada. Quando alguém quiser comunicar uma ocorrência, tanto faz ligar para o 190, 192 ou 193. Todas as chamadas cairão em uma central regional de emergência.

A partir dessas centrais, o atendente distribui o chamado para a Polícia Militar, Bombeiros ou Samu. O sistema terá também o monitoramento da frota. No momento do atendimento, o oficial terá um mapa em sua tela e saberá onde estão as viaturas adequadas mais próximas e a rota ideal para que a guarnição chegue rapidamente ao local do fato.

Para a implantação do Sade, a secretaria iniciou, em 2008, um convênio com o Ministério da Justiça, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). O investimento em equipamentos e tecnologia ficou em torno de R$ 3,9 milhões, dos quais R$ 3,2 milhões são do governo federal e R$ 676 mil do governo estadual.

O Sade será lançado oficialmente nesta terça-feira, em caráter experimental, em Florianópolis. Em outras sete cidades do Estado (Criciúma, Balneário Camboriú, Joinville, Jaraguá do Sul, Blumenau, Lages e Chapecó), onde as centrais regionais de emergência estão prontas para funcionar, a implantação será gradativa. Também estão sendo construídas centrais em Rio do Sul, Tubarão, Herval D' Oeste, São Miguel do Oeste, Caçador e outra em Canoinhas ou Mafra.

As 4 mil viaturas do Estado nos três segmentos serão rastreadas por GPS. A instalação dos rastreadores foi concluída em 3,2 mil veículos.

Além de possibilitar a localização, o rastreamento servirá também para a verificação do cumprimento de rondas e para casos, por exemplo, em que a polícia é investigada. Como na morte do menino Juan no Rio de Janeiro, em que os dados do GPS instalado na viatura certificaram que os policiais suspeitos estiveram no local do crime.

PM terá acesso a banco de dados da Polícia Civil

Um ponto dessa integração está incomodando a Polícia Civil. É que, com a utilização do Sade, a PM passará a ter acesso ao Sistema de Informações de Segurança Pública (Sisp), um módulo integrado adotado desde a década de 1990, mas que atualmente só é abastecido pela PC, Instituto Geral de Perícias (IGP), Departamento de Administração Prisional (Deap) e Departamento de Trânsito (Detran).

À medida que o atendimento é feito por meio do Sade, a PM começa a inserir dados da ocorrência no Sisp, esses dados são de responsabilidade de quem o gerou e podem ser disponibilizados aos demais órgãos da segurança. Hoje, PM, Bombeiros e Samu usam sistemas separados, que não permitem esse compartilhamento.

— Será possível ter estatísticas sobre criminalidade em tempo real. Um filtro fará o mapeamento apontando os locais de crimes e saberemos, por exemplo, para que região deslocar maior efetivo ou em que região fazer operações especiais — comenta o coordenador de videomonitoramento da SSP, tenente-coronel Vânio Dalmarco.

Mato Grosso tem sistema desde 2004

No Estado do Mato Grosso, um sistema único, similar ao Sade e ao Sisp, foi instalado em 2004 na região metropolitana. O Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp) reúne, Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Municipal.

Na fase inicial, o Ciosp funciona como o Sade, o cidadão pode telefonar para qualquer telefone de emergência e a ligação cai em uma central. De lá o atendente remete a ocorrência à instituição competente. Mas os dados são gerados no próprio Ciosp, o que aqui em Santa Catarina será feito pelo Sisp.

De acordo com o coordenador do Ciosp no Mato Grosso, major Ademar do Nascimento, o sistema agilizou o atendimento de ocorrências, assegurou que não haja duplicidade de informação e por meio dele é possível visualizar estatísticas em tempo real. Mas o major não esconde que as corporações foram resistentes à implantação.

— No começo houve resistência por vaidade das instituições. A cada dois anos uma delas coordena o sistema. Por isso teve aquela coisa de sou policial militar, não quero ser mandado por um delegado e vice-versa, mas durou pouco — explica.

Segundo Nascimento, durante a implantação do Ciosp ficou claro que só haveria compartilhamento de dados. Nunca houve problemas como o enfrentado em Santa Catarina, de uma polícia entender que a outra agiria fora de suas atribuições.