Operação pente-fino deve começar pelo gabinete do presidente da Assembleia Legislativa, Gelson Merísio
Foto:Jessé Giotti / Agencia RBS Operação pente-fino deve começar pelo gabinete do presidente da Assembleia Legislativa, Gelson Merísio Foto:Jessé Giotti / Agencia RBS
Os 1.650 funcionários do parlamento devem passar por um recadastramento

O simples vazamento de que o programa Estúdio Santa Catarina, da RBS TV, preparava uma reportagem sobre a existência de servidores que recebem dinheiro mas não trabalham na Assembleia Legislativa provocou como reação antecipada o anúncio, na quarta-feira, de que seria feito um recadastramento de todos os 1.650 funcionários do parlamento. Na noite deste domingo, a reportagem foi veiculada e mostrou seis casos de servidores que receberiam salário sem trabalhar, inclusive vinculados ao gabinete do presidente Gelson Merisio.

A investigação do repórter Francis Silvy partiu de entrevista com um funcionário que preferiu manter o anonimato. Segundo ele, que trabalha há mais de uma década na Assembleia, não são poucos os fantasmas do Legislativo.

— A minha experiência nos setores que eu trabalhei eu calculo que mais ou menos uns 20% dos servidores se enquadrem nessa condição de servidor fantasma. Que não aparecem, aparecem uma vez por mês para assinar a folha ponto ou então não trabalham em determinados dias da semana. — diz.

Durante mais de um mês, foram investigados indícios de funcionários que receberiam sem trabalhar. Nos casos apontados pela reportagem, surgem servidores que mantêm outras atividades longe da Assembleia — escritório de advocacia em São José, construtora em Jaraguá do Sul, empresa em Chapecó. Na lista, aparecem ainda a ex-deputada estadual Odete de Jesus (PRB) e o ex-prefeito de Governador Celso Ramos, Samuel Silva.

Pente-fino para identificar quem é pago para trabalhar, mas não trabalha


Na quarta-feira, Gelson Merisio convocou entrevistas para apresentar uma espécie de operação "caça-fantasmas" na Assembleia. Disse querer se antecipar a possíveis denúncias, já que o Legislativo vinha sendo questionado pelo pagamento de salários acima do teto, por indícios de irregularidade em aposentadorias por invalidez e por suposto abuso no uso de diárias.

— É claro que a próxima pauta será sobre os funcionários — profetizou.


Curiosamente, na véspera do anúncio, a reportagem da RBS TV tentou entrevistar Samuel Silva, que deveria trabalhar no gabinete do próprio Merisio, e ele respondeu que só falaria após consultar o presidente. Na quarta-feira, Merisio fez questão de ressaltar que o pente-fino começaria pelo próprio gabinete.

— Não tenho compromisso com o erro, seja de quem for. Nem com os meus — disse.