A Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI) de Maravilha concluiu as investigações sobre o feminicídio de Andréia Sotoriva, 38 anos, natural de Campo Erê, ocorrido em 13 de agosto no centro de Maravilha.
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Circunstâncias do crime
Na tarde do dia 13 de agosto, Cleo Borba, portando um revólver calibre .38 sem registro, entrou em um estabelecimento comercial e efetuou quatro disparos contra sua ex-companheira. Andréia não teve chance de defesa e morreu no local.
Após o crime, Cleo voltou a arma contra si e disparou na cabeça. Ele foi socorrido e internado no Hospital Regional do Oeste, em Chapecó, onde teve a morte encefálica confirmada em 16 de agosto de 2025.
O casal havia se separado dias antes e tinha um filho em comum. Segundo testemunhas, o relacionamento era marcado por perseguições, ameaças e diferentes formas de violência doméstica. O agressor não aceitava o término da relação.
Apesar dos episódios recentes de violência, a vítima não chegou a registrar ocorrência ou solicitar medidas protetivas. Cleo já tinha histórico de agressões em relacionamentos anteriores.
Conclusão do inquérito
O inquérito concluiu pela prática de feminicídio, mas com a morte do autor foi decretada a extinção da punibilidade, conforme o artigo 107, inciso I, do Código Penal, que prevê o encerramento do processo penal quando o agente falece. O procedimento foi encaminhado ao Poder Judiciário.
O ciclo da violência
O caso ilustra o trágico ciclo da violência doméstica, que geralmente não se manifesta em um ato isolado, mas sim em uma escalada de agressões que pode culminar no feminicídio.
Dias antes do crime, ao romper definitivamente o relacionamento, Andréia relatou a uma amiga:
“Agora estou com o meu coração leve e com a minha consciência leve. Agora eu tenho vida.”
Segundo o delegado responsável pelo inquérito, Daniel Godoy Danesi, a separação representa um dos momentos de maior risco para a mulher em situação de violência.
“Estatisticamente, mulheres correm maior perigo de morte quando decidem romper o relacionamento abusivo, pois o agressor perde o controle que exercia sobre a vítima.”
Uma testemunha chegou a relatar surpresa diante da tragédia:
“Não era o perfil dele, porque quando conversava com a gente parecia uma pessoa bem legal. Descontraído, fazia piadinha…”
O delegado reforça que não existe um perfil único de agressor. Muitos feminicidas são vistos socialmente como pessoas “comuns” ou até “simpáticas”, mas atuam dentro do ciclo da violência doméstica — que começa pelo controle, perseguições e ameaças, e pode culminar na morte da mulher.
A Polícia Civil reitera a importância de que a mulher vítima de violência denuncie, ou quem quer que tenha conhecimento da violência, procure a Delegacia e as instituições de apoio.
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