A Portaria MAPA nº 886/2026 instituiu novas regras federais para a venda de morangos no Brasil, focadas em classificação por calibre, qualidade e rotulagem, alinhando-se aos padrões do Mercosul. Os morangos devem ser comercializados em bandejas com tamanhos uniformes e separados em três calibres (pequeno, médio e grande), com maior rigor na aparência e cor.
Principais Mudanças e Regras (Portaria 886/2026):
Classificação por Tamanho (Calibre):
Calibre 1: Menos de 20 mm.
Calibre 2: Entre 20 mm e 30 mm.
Calibre 3: Acima de 30 mm.
Padrões de Qualidade: Os morangos devem estar limpos, inteiros, firmes e com cor uniforme, proibindo-se a comercialização de frutos com danos, mofo ou aspecto in natura indesejável.
Embalagens: Bandejas devem ter menor variação de peso, com informações detalhadas sobre origem e categoria no rótulo.
Impacto no Produtor: A exigência de seleção rigorosa tem gerado debates devido ao potencial aumento no volume de refugo e custos de produção.
A norma gerou divisão entre políticos, com parlamentares da oposição e representantes da agricultura familiar criticando a burocracia.
Editorial | Estão acabando com os agricultores
Da redação
É cada vez mais difícil aceitar que decisões tomadas por quem está distante da realidade do campo acabem impactando diretamente quem vive da produção. Regras são criadas em gabinetes, muitas vezes por pessoas que desconhecem a origem dos alimentos e os desafios diários enfrentados pelos agricultores. O resultado é um cenário de insegurança e desvalorização para aqueles que sustentam boa parte da economia e garantem o abastecimento da população.
Falta sensibilidade — e, em muitos casos, vontade política — para conter medidas que prejudicam o setor produtivo. Episódios recentes, como tentativas de restringir determinadas atividades agropecuárias, levantam questionamentos legítimos sobre os reais interesses por trás dessas iniciativas. Enquanto isso, produtores seguem arcando com custos elevados, burocracia crescente e pouca representatividade.
No Brasil, a lógica parece invertida: cria-se a regra e o produtor que se adapte, como puder. Isso não apenas desestimula a produção, mas compromete o futuro do campo e de toda a cadeia alimentar. É um retrato preocupante que exige reflexão.
Com a aproximação das eleições, abre-se uma oportunidade para mudança. Cabe ao eleitor avaliar, cobrar e, se necessário, renovar. A alternância é um instrumento legítimo da democracia — e pode ser essencial quando aqueles que ocupam cargos públicos deixam de representar os interesses da população que deveriam defender.