É impossível não manifestar profunda indignação diante de situações em que o poder público, que deveria servir ao interesse da sociedade, é utilizado para favorecer interesses particulares ou familiares, especialmente quando envolvem gastos milionários e recursos que pertencem a todos os cidadãos.
Mais preocupante ainda é quando jornalistas que denunciam possíveis irregularidades passam a ser alvo de medidas que, aos olhos da sociedade, podem ser interpretadas como formas de intimidação. A liberdade de imprensa e o direito de informar são pilares fundamentais de qualquer democracia e não podem ser tratados como privilégios concedidos pelo poder.
Quando autoridades responsáveis por zelar pela Constituição são acusadas de ultrapassar os limites de suas próprias atribuições e utilizar medidas de força contra aqueles que fazem denúncias, a situação se torna ainda mais grave e preocupante.
Independentemente de posições políticas ou ideológicas, é preciso defender princípios que deveriam ser inegociáveis: liberdade de expressão, liberdade de imprensa, respeito à Constituição, independência dos poderes e igualdade perante a lei.
Se aqueles que denunciam possíveis abusos passam a ser intimidados, enquanto aqueles que deveriam dar explicações permanecem protegidos pelo poder, temos um grave sinal de que algo está profundamente errado.
É difícil imaginar uma demonstração maior de inversão de valores. Quando a autoridade deixa de ser instrumento de justiça e passa a ser percebida como instrumento de intimidação, chegamos a um ponto que não pode ser ignorado.