Eloid da Cruz Antunes foi condenado a 31 anos e 10 meses de prisão pela morte da advogada Karize Ana Fagundes Lemos, em julgamento realizado nesta quinta-feira (10), no Fórum da Comarca de Caçador, no Meio-Oeste de Santa Catarina. A sessão do Tribunal do Júri durou quase 15 horas, começando às 7h30 e terminando às 22h27, com a leitura da sentença.

 

O réu foi condenado por homicídio qualificado, com qualificadoras relacionadas ao feminicídio, motivo torpe, asfixia e recurso que dificultou a defesa da vítima, além do crime de ocultação de cadáver.

 

O processo teve como base a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Durante o julgamento, os Promotores de Justiça Diego Bertoldi e Marco Antônio Vargas Sandi atuaram na acusação e apresentaram aos jurados as provas reunidas durante a investigação.

 

Karize foi morta dentro da própria residência, em Caçador, no dia 28 de setembro de 2024, enquanto se recuperava de uma cirurgia nos rins. Conforme as investigações, Eloid a enforcou utilizando uma corda de sisal retirada de um arranhador de gatos. O crime teria ocorrido depois que a vítima manifestou a intenção de terminar o relacionamento.

 

Após matar Karize, o homem teria enrolado o corpo em um cobertor, colocado a vítima dentro do carro e seguido até o Paraná. Durante o trajeto, parou em um posto de combustível, abasteceu o veículo e saiu sem pagar. Em seguida, percorreu cerca de 150 quilômetros até a região de Palmas, onde teria abandonado o corpo em uma área de plantação de pinus.

 

Segundo o Ministério Público, depois de esconder o corpo, Eloid telefonou para dois amigos e contou o que havia feito. Os homens procuraram a polícia e repassaram as informações, contribuindo para o início das buscas.

 

O acusado foi preso dois dias depois do crime, em um motel em Guaíra, no Paraná, próximo à fronteira com o Paraguai. De acordo com a investigação, ele não conseguiu atravessar para o país vizinho porque a fronteira estava fechada para obras.

 

Corpo foi localizado após investigação

Eloid não revelou às autoridades onde havia deixado o corpo de Karize. A localização foi descoberta por meio de um trabalho de inteligência policial, a partir de informações extraídas do celular.

 

A identificação da vítima foi confirmada por meio da comparação da arcada dentária com um exame odontológico realizado anteriormente. A perícia também encontrou correspondências entre as roupas e objetos relacionados ao crime e imagens publicadas anteriormente nas redes sociais de Karize.

 

Julgamento teve sete testemunhas

Ao longo da sessão, foram ouvidas sete testemunhas, entre elas uma vizinha e um amigo da vítima, policiais civis, uma funcionária do posto de combustível onde o réu esteve após o crime e os dois homens que receberam a ligação de Eloid.

 

A vizinha Vitória de Oliveira relatou que costumava levar sopa para Karize durante a recuperação da cirurgia e falou sobre a angústia vivida pela família e pelos amigos durante o período em que a advogada esteve desaparecida.

 

O pai da vítima, Rudnei, também falou sobre o sofrimento enfrentado desde o desaparecimento da filha. Para ele, a condenação não devolve Karize, mas representa um alívio diante de todo o período de incerteza vivido pela família.

 

Réu confessou o crime

Durante o interrogatório no Tribunal do Júri, Eloid confessou ter cometido o crime. Ele teve direito à ampla defesa, com a atuação de dois advogados, além das garantias constitucionais previstas para o julgamento.

 

O Ministério Público sustentou que as provas reunidas durante a investigação demonstravam a autoria e a dinâmica do assassinato.

 

Embora a condenação tenha considerado qualificadoras relacionadas ao feminicídio, o caso foi julgado como homicídio qualificado porque o crime ocorreu antes da entrada em vigor da legislação que transformou o feminicídio em crime autônomo. A legislação penal não pode retroagir para prejudicar o réu.

 

Três gatos também teriam sido mortos

As investigações apontaram ainda que três dos cinco gatos que viviam com Karize também foram mortos no mesmo dia. A suspeita é de que os animais tenham sido atacados com a mesma corda utilizada no crime contra a advogada.

 

Karize era conhecida pelo cuidado com animais e costumava resgatar gatos das ruas, encaminhando-os para tratamento. Dois dos animais que estavam na residência conseguiram deixar o local antes de serem atacados.

 

Com a sentença, Eloid da Cruz Antunes deverá retornar ao sistema prisional para cumprir a pena de 31 anos e 10 meses de reclusão.

 

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