Senado aprova Ficha Limpa, mas será que esse ano vai valer? Senado aprova Ficha Limpa, mas será que esse ano vai valer?
Aprovado por unanimidade no Senado na noite da última quarta-feira (19), a discussão em torno do projeto Ficha Limpa ainda está longe de terminar. A discussão agora é se o projeto valerá já para as eleições de outubro deste ano. O texto, que prevê mais restrições para que políticos com problemas na Justiça possam se candidatar, segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A discussão sobre sua validade envolve juristas e políticos, que questionam se a lei valeria caso fosse publicada até o dia 9 de junho, véspera da data autorizada pela Justiça para o início das convenções partidárias que definirão os candidatos.

Essa tese é defendida por entidades como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e o MCCE (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral), idealizador do projeto de iniciativa popular. O presidente da entidade, Ophir Cavalcante, já divulgou nota cobrando pressa na sanção do projeto. "Uma vez cumprida a missão na Câmara e Senado, agora as atenções se voltam para a sanção presidencial ao projeto de iniciativa popular, fruto de intensa mobilização da sociedade e da coleta de quase 2 milhões de assinaturas de eleitores", afirma a nota.

Para resolver a questão, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) apresentou consulta ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) questionando se o projeto vale caso seja publicado até o dia 5 de julho, data limite para a apresentação de candidaturas. A Corte, no entanto, ainda não se manifestou.

Outra mudança aprovada pelos senadores também gerou dúvidas. O texto aprovado pela Câmara afirmava que não poderia se candidatar “os que tenham sido condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado”. Com a emenda de Dornelles, o projeto passa a vigorar com a seguinte redação: “os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado”.

A mudança verbal pode abrir precedentes para que, quem já tenha condenação, alegue que a inelegibilidade só valeria para condenações após a publicação da lei. Isso, na prática, deixaria a lei sem nenhuma validade para as eleições deste ano e permitiria que ficassem elegíveis para as próximas votações políticos condenados no passado.

O Ficha Limpa aumenta as chances de um candidato ficar inelegível. A lei atual só impede a candidatura caso a decisão condenatória seja de última instância, sem mais possibilidade de recurso, mas o texto aprovado pelos parlamentares amplia a inelegibilidade para quem tenha sido condenado por órgão colegiado - ou seja, decisão de mais de um juiz.