A identificação das Hepatites Virais é uma importante questão de saúde pública que exige mobilização, capacitação e constante troca de informações.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de um terço da população global foi infectada pela Hepatite. A doença é a inflamação do fígado e pode ser causada por vírus, uso de alguns remédios, álcool e outras drogas, além de doenças autoimunes, metabólicas e genéticas.

Embora a maioria dos portadores de hepatite não saiba que tem a doença, eles são capazes de transmiti-la, por isso a importância da prevenção e diagnóstico.

Dados apontam que na cidade de Chapecó, mais de 7º da população tem hepatite do tipo B crônica, o que coloca o município em primeiro lugar no ranking do estado. Outras cidades apontam um grande índice de portadores e Campo Erê tem hoje poucas pessoas sendo tratadas.

Segundo a responsável pelo setor de epidemiologia do município, Lilian Faccio, todos os casos suspeitos são encaminhados para a avaliação médica e na sequencia ao medico infectologista, da cidade de Pato Branco PR, com quem o município possuiu um convenio.

Ela cita que os geralmente a procura é quando os casos já estão em estágios avançados e muitas vezes o tratamento não surte mais seus efeitos. Os casos que são detectados, geralmente são quando o portador procura ser voluntario para doação de sangue ou em pedidos de exames feitos pelos médicos.

As gestantes são obrigadas a fazer os exames, mas na população a procura é baixa, tendo meses que nenhum caso é registrado no âmbito dos postos de saúde.

“Uma caixa do medicamento que deve ser ministrado durante um mês custa em media R$ 1.000,00”.

Quem já teve hepatite não pode doar sangue e por isso o número de doadores vem reduzindo por causa da doença. A doação de órgãos também é prejudicada por causa do vírus. No Brasil a média de descarte de órgãos por hepatite é de 10%.

A hepatite B ataca o fígado e pode provocar câncer ou cirrose.

Exemplo: Ela pode causar dano no fígado como um navio que está no mar há vários anos. O casco do navio é como se fosse o fígado e a água batendo é como se fosse o vírus. Fica batendo, fica batendo e tem um pouco lesão. Depois tira a tinta, faz uma ferrugem, um buraquinho e depois um rombo.

A imunização contra hepatite B é realizada em três doses, com intervalo de um mês entre a primeira e a segunda dose e de seis meses entre a primeira e a terceira dose. A vacina, após administração do esquema completo, induz imunidade em 90% a 95% dos casos. Com o tempo o vírus pode ser erradicado.

Transmissão

Hepatite A

Sua transmissão é fecal-oral, por contato entre indivíduos ou por meio de água ou alimentos contaminados pelo vírus.

Hepatite B

Como o vírus está presente no sangue, no esperma e no leite materno, a hepatite B é considerada uma doença sexualmente transmissível. Entre as causas de transmissão estão:

•por relações sexuais sem camisinha com uma pessoa infectada,

•da mãe infectada para o filho durante a gestação, o parto ou amamentação,

•ao compartilhar material para uso de drogas (seringas, agulhas, cachimbos), de higiene pessoal (lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, alicates de unha ou outros objetos que furam ou cortam) ou de confecção de tatuagem e colocação de piercings,

•por transfusão de sangue contaminado.

Hepatite C

O vírus C, assim como o vírus causador da hepatite B, está presente no sangue. Entre as causas de transmissão estão:

•Transfusão de sangue;

•Compartilhamento de material para uso de drogas (seringas, agulhas, cachimbos, entre outros), higiene pessoal (lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, alicates de unha ou outros objetos que furam ou cortam) ou para confecção de tatuagem e colocação de piercings;

•Da mãe infectada para o filho durante a gravidez;

•Sexo sem camisinha com uma pessoa infectada (forma mais rara de infecção).

Hepatite D

A hepatite D, também chamada de Delta, é causada pelo vírus D (VHD). Mas esse vírus depende da presença do vírus do tipo B para infectar uma pessoa, portanto sua transmissão ocorre da mesma forma.

Hepatite E

Sua transmissão é fecal-oral, por contato entre indivíduos ou por meio de água ou alimentos contaminados pelo vírus.

Sintomas

Em grande parte dos casos, as hepatites virais são doenças silenciosas, o que reforça a necessidade de ir ao médico regularmente e fazer os exames de rotina que detectam os vários tipos de hepatites. Mas, quando os sintomas aparecem, estes podem ser:

.Febre;

.Fraqueza;

.Mal-estar;

.Dor abdominal;

.Enjoo/náuseas;

.Vômitos;

.Perda de apetite;

.Urina escura (cor de café);

.Icterícia (olhos e pele amarelados);

.Fezes esbranquiçadas (como massa de vidraceiro).

Imunização

Atualmente, o Ministério da Saúde oferece vacina contra a hepatite dos tipos A e B, nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE) e nos postos de saúde, respectivamente. Não existe vacina contra a hepatite C, o que reforça a necessidade de um controle adequado da cadeia de transmissão, bem como entre grupos vulneráveis, por meio de políticas de redução de danos.

Vacina contra a hepatite A- A vacina contra a hepatite A não faz parte do calendário nacional de vacinação. O encaminhamento, quando indicado, deverá ser feito pelo médico. No entanto, essa vacina está disponível no CRIE nas seguintes situações:

.hepatopatias crônicas de qualquer etiologia;

.portadores crônicos do HBV e HCV;

.coagulopatias;

.crianças menores de 13 anos com HIV/aids;

.adultos com HIV/aids que sejam portadores dos vírus causadores da hepatites dos tipos B ou C;

.doenças de depósito;

.fibrose cística;

.trissomias;

.imunodepressão terapêutica ou por doença imunodepressora;

.candidatos a transplante de órgão sólido, cadastrados em programas de transplantes;

.transplantados de órgão sólido ou de medula óssea;

.doadores de órgão sólido ou de medula óssea, cadastrados em programas de transplantes;

.hemoglobinopatias.

Vacina contra a hepatite B

A vacina contra a hepatite B faz parte do calendário de vacinação da criança, e do adolescente de até 24 anos, e está disponível nas salas de vacina do Sistema Único de Saúde (SUS). Todo recém-nascido deve receber a primeira dose da vacina logo após o nascimento, preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida. Se a gestante tiver hepatite B, o recém-nascido deverá receber, além da vacina, a imunoglobulina contra a hepatite B, nas primeiras 12 horas de vida, para evitar a transmissão de mãe para filho. Caso não tenha sido possível iniciar o esquema vacinal na unidade neonatal, recomenda-se a vacinação na primeira visita à unidade pública de saúde.

A oferta dessa vacina estende-se também a outros grupos em situações de maior vulnerabilidade, independentemente da faixa etária:

.gestantes, após o primeiro trimestre de gestação;

.trabalhadores da saúde;

.bombeiros, policiais militares, policiais civis e policiais rodoviários;

.carcereiros, de delegacia e de penitenciárias;

.coletadores de lixo hospitalar e domiciliar;

.comunicantes sexuais de pessoas portadoras do vírus causador da hepatite B;

.doadores de sangue;

.homens e mulheres que mantêm relações sexuais com pessoas do mesmo sexo;

.lésbicas, gays, bisexuais, travestis e transexuais;

.pessoas reclusas (presídios, hospitais psiquiátricos, instituições de menores, forças armadas, entre outras);

.manicures, pedicures e podólogos;

.populações de assentamentos e acampamentos;

.populações indígenas;

.potenciais receptores de múltiplas transfusões de sangue ou politransfundidos;

.profissionais do sexo/prostitutas;

.usuários de drogas injetáveis, inaláveis e pipadas;

.portadores de doenças sexualmente transmissíveis (DST);

.caminhoneiros.