Julho é o mês de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, um grupo de tumores que pode afetar regiões como boca, lábios, garganta, laringe, nariz e tireoide. Apesar de frequentemente apresentar sinais perceptíveis, cerca de 76% dos casos ainda são diagnosticados em estágio avançado, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Quando identificado precocemente, o câncer de cabeça e pescoço pode alcançar índices de cura de até 90%, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP). Por isso, a principal recomendação é simples: conhecer os fatores de risco, adotar hábitos saudáveis e procurar assistência médica diante de qualquer alteração persistente.
"Quanto mais cedo ocorrer o diagnóstico, maiores serão as chances de um tratamento menos agressivo e de alcançar a cura", explica o cirurgião de cabeça e pescoço e otorrinolaringologista do Hospital Santa Isabel, de Blumenau, Dr. Thiago Sônego.
Como a identificação precoce é um dos fatores que mais influenciam as chances de cura, o Hospital Santa Isabel oferece atendimento especializado para investigação de sintomas persistentes. Pacientes com suspeita ou diagnóstico de câncer de cabeça e pescoço contam com equipe de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço, além de uma estrutura integrada para a realização de exames, diagnóstico e definição do tratamento, quando necessário. A atuação conjunta entre diferentes especialidades contribui para um cuidado mais ágil, individualizado e com foco no diagnóstico precoce.
Ele destaca cinco orientações que ajudam a reduzir o risco da doença e facilitam a identificação dos primeiros sinais:
1. Não fume e evite o consumo excessivo de álcool - O tabagismo é o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de cabeça e pescoço. Quando associado ao consumo de bebidas alcoólicas, o risco aumenta ainda mais. "O cigarro e o álcool têm efeito potencializado quando consumidos juntos, tornando essa combinação um dos principais fatores relacionados ao surgimento da doença", explica Dr. Thiago Sônego.
2. Mantenha uma boa higiene bucal e observe alterações - Feridas que não cicatrizam, manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, alterações na língua, gengivas ou céu da boca não devem ser ignoradas, especialmente quando persistem por mais de 15 dias. Além de contribuir para a saúde bucal, o acompanhamento odontológico periódico ajuda na identificação precoce dessas alterações.
3. Proteja-se contra o HPV - A infecção pelo vírus HPV também está associada ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer de cabeça e pescoço, especialmente na região da garganta. O uso de preservativo nas práticas sexuais, inclusive no sexo oral, e a vacinação contra o HPV, conforme as recomendações do Ministério da Saúde, são importantes medidas de prevenção.
4. Adote hábitos saudáveis - Manter o peso corporal adequado e investir em uma alimentação equilibrada contribuem para reduzir o risco de diversos tipos de câncer. Outro cuidado importante é proteger os lábios da exposição excessiva ao sol, com o uso de protetor labial com filtro solar, especialmente para pessoas que trabalham ao ar livre.
5. Não espere os sintomas passarem sozinhos - Rouquidão persistente, dor de garganta que não melhora, dificuldade para engolir, nódulos no pescoço, sangramentos pelo nariz sem causa aparente e dores no ouvido podem indicar diferentes problemas de saúde, incluindo o câncer de cabeça e pescoço. “Nem toda alteração significa câncer, mas qualquer sintoma persistente por mais de duas semanas merece avaliação médica”, reforça o especialista.