O grafeno ganhou destaque após Nobel para cientistas em 2010. FOTO: Nicholas Petrone/The New York Times
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<p class="excerpt" align="justify"><em>Uso na indústria eletrônica tem amplo potencial e inclui aparelhos flexíveis, computadores quânticos e dispositivos vestívei.</em></p><p align="justify">Trata-se de uma forma de carbono, um condutor de eletricidade e calor
melhor do que qualquer outro. E não é apenas o material mais duro do
mundo, como também um dos mais flexíveis. O grafeno poderá revolucionar a
indústria eletrônica com a produção de aparelhos flexíveis,
computadores quânticos superpoderosos, roupas eletrônicas e computadores
capazes de fazer interface com as células do nosso corpo.</p>
<p align="justify">A Sociedade Americana de Química anunciou em 2012 que o grafeno é 200
vezes mais resistente do que o aço, e tão fino que uma única onça do
material (cerca de 28 g) pode cobrir 28 campos de futebol. Cientistas
chineses criaram um aerogel de grafeno, um material ultraleve derivado
de um gel, que pesa sete vezes menos que o ar. Uma polegada cúbica do
material poderia equilibrar-se sobre uma folha de erva.</p>
<p align="justify">“O grafeno é um dos poucos materiais transparentes do mundo, condutor
de eletricidade e calor e flexível – tudo ao mesmo tempo”, diz Aravind
Vijayaraghavan, professor da Universidade de Manchester. “É extremamente
raro encontrar todas estas propriedades juntas num único material.”</p>
<p align="justify">O que é possível fazer com o grafeno? Físicos e pesquisadores
acreditam que, em breve, poderemos fabricar produtos eletrônicos mais
finos, mais velozes e mais baratos do que qualquer outra coisa feita de
silício, com a opção de poderem ser transparentes e flexíveis.</p>
<p align="justify">Baterias de grande duração que podem ficar submersas na água são outra possibilidade.</p>
<p align="justify">Em 2011, pesquisadores da Northwestern University construíram uma
bateria que incorporava grafeno e silício, o que, segundo a
universidade, poderia permitir a produção de um telefone celular que
“permaneça carregado por mais de uma semana e possa ser recarregado em
apenas 15 minutos”. Em 2012, a Sociedade Americana de Química informou
que os avanços no campo do grafeno poderiam resultar em tecnologias de
tela de toque que “permitiriam fabricar telefones celulares finos como
uma folha de papel e dobráveis o suficiente para ser enfiados no bolso”.</p>
<p align="justify">Vijayaraghavan está construindo uma série de sensores de grafeno –
inclusive sensores de gás, biossensores e sensores de luz – muito
menores do que os atuais. Na semana passada, pesquisadores do Instituto
de Tecnologia Avançada da Samsung, que trabalham para a Universidade
Sungkyunkwan, na Coreia do Sul, anunciaram que a Samsung descobriu como
produzir grafeno de alta qualidade a partir de pastilhas de silício que
poderia ser usado na produção de transistores de grafeno. A Samsung
afirmou num comunicado que estes avanços significam que ela poderá
começar a produzir “telas flexíveis, vestíveis e outros aparelhos
eletrônicos da próxima geração”.</p>
<p align="justify">Sebastian Anthony, repórter da Extreme Tech, informou que a
descoberta da Samsung poderá ser a “pedra de toque da produção comercial
do grafeno”.</p>
<p align="justify">A Samsung não é a única companhia que trabalha no desenvolvimento do
grafeno. Pesquisadores da IBM, Nokia e SanDisk realizam experiências com
o material para criar sensores, transistores e memória de
armazenamento.<br>
É provável que, quando estes produtos eletrônicos chegarem às
prateleiras das lojas, sejam completamente diferentes de tudo o que
vimos até agora.</p>
<p align="justify"><strong>Custo baixo<br>
</strong>O fator mais importante é que o grafeno é extremamente barato.</p>
<p align="justify">Qualquer coisa que possamos imaginar fabricada pela indústria
eletrônica de hoje, muito provavelmente poderá ser melhor, menor e mais
barata se produzida à base de grafeno.</p>
<p align="justify">No ano passado, cientistas da Universidade da Califórnia, em
Berkeley, fabricaram alto-falantes de grafeno capazes de produzir um som
de qualidade igual ou melhor à dos fones de ouvido comerciais
Sennheiser. E bem menores.<br>
Outro aspecto fascinante do grafeno é sua capacidade de ficar imerso em
líquidos sem se oxidar, ao contrário de outros materiais condutores.</p>
<p align="justify">Consequentemente, disse Vijayaraghavan, a pesquisa do grafeno conduz a
experiências em que a eletrônica se integra a sistemas biológicos. Em
outras palavras, poderão ser feitos implantes de grafeno no corpo humano
capazes de ler nosso sistema nervoso ou conversar com nossas células.</p>
<p align="justify">Mas embora os pesquisadores acreditem que o grafeno será usado em
engenhocas da próxima geração, há inteiros setores que constroem
produtos eletrônicos usando chips e transistores tradicionais de
silício, que provavelmente demorarão para adotar produtos equivalentes
de grafeno.</p>
<p align="justify">Se isto acontecer, o grafeno poderá acabar sendo usado em outros
setores antes de ser utilizado na eletrônica. No ano passado, a Fundação
Bill e Melinda Gates pagou pelo desenvolvimento de um preservativo de
grafeno fino, leve e impermeável. Os fabricantes de automóveis exploram a
possibilidade de construir veículos eletrônicos com carrocerias de
grafeno, que não só teriam uma função protetora, como agiriam como
painéis solares que carregam a bateria do carro. Os fabricantes de
aviões também esperam construir aeronaves usando o material.</p>
<p align="justify">Se tudo isto não é o suficiente, uma equipe internacional de
pesquisadores sediada no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT)
realizou testes que poderão permitir a construção de computadores
quânticos, o que constituiria um enorme mercado para a computação no
futuro.</p>
<p align="justify"><strong>Mackenzie constrói centro de estudo do material em SP</strong></p>
<p align="justify">A Universidade Presbiteriana Mackenzie investiu cerca de R$ 20
milhões para levantar o primeiro centro de pesquisas do material no
Brasil, localizado no campus da rua da Consolação, em São Paulo.
Contando com uma verba de R$ 9,8 milhões da Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o MackGraphe (Centro de
Pesquisas Avançadas em Grafeno, Nanomateriais e Nanotecnologia) ocupará
um edifício de 4.230 m2.</p>
<p align="justify">A expectativa é de que as obras estejam concluídas até julho deste
ano. O Centro contará com o comando do brasileiro Antonio Helio de
Castro Neto, diretor de um centro de pesquisa do material na
Universidade Nacional de Cingapura.</p>
<p><em><strong>Tradução de Anna Capovilla</strong></em></p>